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Luiz Carvalho é o homenageado do Troféu Promessas 2012

Aos 87 anos e com 66 discos gravados, o cantor Luiz de Carvalho é o homenageado do Troféu Promessas 2012. Recordamos aqui a sua história para mostrar o pioneirismo e a raiz da música evangélica no Brasil
A história da música evangélica no Brasil começou a ser escrita por pessoas que consagraram a vida a Deus e se dispuseram para a boa obra que glorifica o nome do Senhor. Gente que acreditou e acredita na força da música, no poder da adoração e sabe do que ela é capaz de produzir na vida das pessoas… 

Foi assim com o cantor Luiz de Carvalho, um homem visionário que não negligenciou o seu chamado ministerial para proclamar o evangelho por meio de suas canções. 

Luiz nasceu com o talento para a música e fez dela um dos seus pilares de vida e ministério. Com 87 anos bem vividos, morando em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, Luiz de Carvalho é o homenageado do Troféu Promessas 2012. Ele é dono de uma extensa discografia – 66 no total –, e de vários recordes, entre eles, o do álbum “Meu Tributo – A Deus Toda Glória” (1983), que vendeu mais de 200 mil cópias, conquistando o Disco de Ouro, feito inédito para um cantor evangélico naquela época. 

Mais que uma justa homenagem, falar de Luiz de Carvalho é relatar as raízes da música evangélica nacional. É falar de uma voz inconfundível e de um estilo próprio que marcou a Igreja de Cristo, especialmente nos idos de 1950 e 60. É viajar no tempo e valorizar o lugar que a música gospel ocupa hoje – fruto de um trabalho que começou há décadas por intermédio de homens como Luiz de Carvalho. É reconhecer que gerações foram marcadas por verdadeiras obras do cancioneiro cristão, como “Obra Santa” e o “O Rei está Voltando”. É honrar o pioneirismo da indústria fonográfica evangélica. O célebre cantor gravou o primeiro LP evangélico do Brasil, em 1958, intitulado “Boas Novas”. 

É por essas e outras tantas razões que embarcamos no passado para contar a história do patriarca do louvor no Brasil. Conheça a vida e a obra de Luiz de Carvalho. 

O início de tudo… 

Corria o ano de 1925. Uma época marcante e de transições. No Brasil, o dia 1º de Maio virava feriado nacional por um decreto do presidente Artur Bernardes. Foi nesse ano também que o jornal O Globo foi fundado por Irineu Marinho. 

Em meio a esses e tantos outros acontecimentos, nascia, no dia 16 de maio, em Bauru, cidade do interior paulista, o menino Luiz de Carvalho. Filho do senhor Augusto José de Carvalho e de dona Ema. Caçula de uma família com 12 irmãos, logo aos oito anos, Luiz já pretendia ser cantor e se aventurava em programas de calouros; contudo, os ambientes não eram propícios, principalmente devido à sua pouca idade. Luiz viveu muitas coisas, pois ainda não conhecia Jesus Cristo. 

Aos 10 anos, o menino saiu de casa para ganhar a vida e ajudar no sustendo da família fazendo o que mais gostava: cantar. Ele teve a bênção dos pais nessa decisão. O seu pai, em especial, foi o seu maior incentivador: “Ainda criança, recebi o incentivo do meu pai para me envolver com a música”, relembra. 

Nas estradas Brasil afora, Luiz passou por muitas dificuldades. Chegou a morar em pensões nas cidades paulistas de Garça e Marília. Mas a vontade de cantar falava mais alto. E a persistência valeu a pena, pois já na adolescência veio o reconhecimento ao seu talento. Luiz passou a ser chamado de “Menino de Ouro”. Nessa época, ele já tinha contrato assinado com gravadora e seu nome ganhava cada vez mais notoriedade, e passou a figurar entre os mais famosos da época. O menino da voz de ouro era a sensação dos clubes e ali interpretava os boleros e as canções carnavalescas. O cantor recebia vários convites para se apresentar em bailes de formatura e festas em geral. 

Em 1942, com apenas 17 anos, ele já tinha o seu próprio conjunto, chamado de “Havaiano”. Músicos e bailarinos faziam parte do grupo que Luiz qualificava como “requintado e com excelente nível musical”. O grupo cantava de samba-canção a boleros e marchinhas. 

No Brasil, vivia-se a era do rádio e por isso o grupo passou a ser bastante requisitado, chegando a se apresentar em países como Argentina, México, Peru e Chile. Um verdadeiro sucesso de público e audiência. 

Um fato curioso marca também essa época. No Brasil, o jogo de azar ainda era permitido e Luiz chegou a se apresentar nos famosos cassinos da Urca, no Rio, Quitandinha, em Petrópolis (RJ), e em Montserrat, em Santos (SP). A proibição dos jogos de azar no Brasil foi estabelecida no dia 30 de abril de 1946. 

Durante muito tempo, Luiz de Carvalho viveu sob o tripé de um homem que ainda não conhecia a Deus: tinha fama, dinheiro e mulheres: “Experimentei de tudo. Levava uma vida de promiscuidade. No carnaval, eu pulava três noites seguidas”, recorda-se. Mas Deus começou a operar em sua vida e transformou o seu talento em dom para a glória Dele… 

A mudança 

Em 1947, algo fundamental mudou para sempre a vida daquela estrela da música brasileira. Luiz de Carvalho passou pelo novo nascimento ao entregar sua vida para Jesus. Era o renascimento em Cristo, a Salvação que lhe chegava pelo eterno e incomparável amor de Deus. 

Certa vez, Luiz e seu grupo musical foram se apresentar na cidade de Tupã (SP) e horas antes do show, ele e os companheiros davam uma volta pela cidade quando viram um grupo reunido na esquina. “No meio daquele grupo estava um homem de paletó e gravata que desafiava as pessoas que passam por ali, dizendo: ‘Onde você vai passar a eternidade? ’ Em um primeiro momento me senti ofendido, mas logo entendi que o homem não estava se referindo diretamente a mim. Lembro-me que fiquei intrigado e cheguei mais perto para escutar o que era aquilo. Aquele homem de paletó citou as palavras de Jesus descritas no evangelho de Mateus 11.28, que diz: ‘Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, que eu vos aliviarei.’ Naquele momento, algo mexeu comido! Foi então que decidi procurar uma igreja para ouvir mais daquela mensagem”, recorda-se emocionado. 

O jovem cantor permaneceu na cidade de Tupã enquanto seus companheiros de grupo foram embora. Luiz não hesitou e procurou o pastor para conversar e acabou recebendo das mãos dele o seu primeiro exemplar do Novo Testamento (NT). Em apenas um mês, leu o livro três vezes. Quando a Palavra de Deus começou a penetrar em sua vida, Luiz nunca mais foi o mesmo. 

Ele continuava com o grupo Havaiano, mas a vontade já não era mais a mesma. Curiosamente, entre os intervalos dos shows, Luiz lia a Bíblia. E cada verso contido na Palavra, era a certeza de que Deus tinha algo novo para fazer em sua vida. 

Após cumprir todos os contratos dos shows com o grupo, inclusive com o consentimento do seu pastor, Luiz deixou o grupo. Foi então que ele se tornou membro da Igreja Paulistana, a qual é diácono até hoje. Já são mais de 65 anos servindo ao mesmo ministério. 

O pioneirismo 

Em 1947, aos 22 anos de idade, Luiz foi trabalhar em uma firma de cobranças na capital paulista. Mas o seu grande desejo era o de dedicar-se à música cristã e por esse motivo se matriculou no Conservatório Carlos Gomes, tudo com a ajuda da igreja. 

O seu talento musical chamou a atenção dos irmãos da igreja. Naquela época, sua igreja precisava de recursos para a construção de um templo. Foi então que o pastor líder da congregação propôs a Luiz de Carvalho a gravação de um disco, e por meio da venda dos mesmos a igreja financiaria a obra. Assim Luiz fez sua primeira gravação em 78 rotações. O resultado não poderia ser melhor: todos os discos foram vendidos e o templo da igreja construído. 

Com isso, o Ministério de Luiz de Carvalho começou a crescer cada vez mais. O cantor passou a ser convidado para ministrar em diversas igrejas e em campanhas evangelísticas. Foram épocas de grandes conversões por meio do testemunho e das canções de Luiz de Carvalho. 

Com o crescimento do ministério, Luiz passou a se dedicar integralmente à música e vivia, com a esposa, Adelina (falecida em 1986), e os quatro filhos – Elias, Davi, Marta e Luiz Roberto, apenas das ofertas que recebia das igrejas por onde ministrava. 

As dificuldades eram muitas, pois naquela época a divulgação era feita “boca a boca”, já que os evangélicos não viam com bons olhos os cantores e muito menos a venda de discos. Sem contar que não existiam rádios evangélicas, assim como acontece hoje, em que os cantores são reconhecidos nacionalmente por meio das ondas dos rádios. E mesmo com todas essas e outras tantas dificuldades, o nome Luiz de Carvalho se firmava cada vez mais no cenário musical evangélico. 

E em 1958, Luiz marcaria seu nome na história da música evangélica nacional. É dele o título de pioneiro da indústria fonográfica evangélica. Ele gravou o primeiro LP evangélico do Brasil, intitulado “Boas Novas”: “Guardo com carinho esse disco”, conta Luiz. 

Mas não foi só isso. O cantor também quebrou paradigmas. Isso por que, certa vez, ele entrou em uma igreja com um violão debaixo do braço. Hoje isso é algo mais do que normal. Mas naquela época era como uma afronta para os evangélicos que associavam o instrumento à boemia. A ousadia de Luiz em não parar frente a essas situações constrangedoras, fez com que a música evangélica chegasse onde está hoje – ultrapassando barreiras e vivendo o seu auge com o reconhecimento da mídia nacional. 

Algumas particularidades da vida do cantor

Luiz de Carvalho faz parte do cast da gravadora Bompastor há mais de trinta anos. 

O cantor perdeu sua primeira esposa, Adelina, em 1986, vítima de um aneurisma cerebral. Ele foi casado com Adelina por mais de 40 anos. Com a perda da esposa, seu porto seguro, Luiz se viu perdido, sem forças para continuar. 

Três anos depois, o cantor conheceu no sul do Brasil a pianista Ernestina com quem se casou novamente. Em 1990, teve uma filha, Priscila. Hoje, a jovem, com 22 anos, divide os palcos com o pai. A esse respeito, ela faz questão de dizer: “Cantar ao lado do meu pai é uma experiência única. Ele é o maior modelo”, ressalta orgulhosa. 

Além de diácono, Luiz de Carvalho é professor da classe de novos convertidos na Escola Dominical da Igreja Paulistana. 

O cantor tem vários sonhos. Entre eles, o desejo de ter a sua própria orquestra com o objetivo de levar cultura musical ao público. Outro sonho curioso: se apresentar ao lado de algum grande grupo de louvor da atualidade: “Já pensou cantar junto ao Diante do Trono, por exemplo? Seria uma experiência prazerosa”, compartilha. 

Um legado vitorioso 

A trajetória de Luiz de Carvalho foi e tem sido de uma longa caminhada, com histórias belíssimas em cada etapa vivida. Na verdade, Luiz plantou e continua plantando marcos para a eternidade, deixando um legado de amor e fidelidade às gerações vindouras. 

São mais de 60 anos dedicados ao louvor e à música cristã, levando a milhares de pessoas a simplicidade da mensagem do evangelho de Cristo. 

Luiz foi um desbravador da música evangélica. Enchia o carro com seus discos de vinil e saía pelo Brasil afora a cantar, levando sempre consigo a sua família, o seu maior ministério. Com o seu vozeirão ministrava tanto para pequenas igrejas do interior do Brasil quanto para grandes públicos. E tudo com a mesma excelência. 

Ao longo dos anos, a voz de ouro ultrapassou fronteiras e já cantou em mais de 20 países, entre eles, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha e Estados Unidos. E foi na Holanda que Luiz participou da cruzada do renomado evangelista americano Billy Graham – considerado como o maior nome do evangelismo mundial. 

Na cruzada evangelística de Billy Graham ocorrida no Brasil, no Estádio do Maracanã, em 1965, Luiz de Carvalho celebra o fato de ter cantado para um público de mais de 120 mil pessoas. Ao se deparar com aquele Maracanã lotado, Luiz relembra um fato importante da sua carreira: “Quando me converti, meus companheiros do grupo Havaiano me disseram que nunca teria público para aquele ‘negócio’ de Jesus. Quando subi ao palco do Maracanã, foi uma das maiores emoções da minha vida.” 

E mesmo com oito décadas vividas, Luiz de Carvalho continua a ser um exemplo de dedicação à obra de Deus. Ele não para. Ministra e cumpre com muita satisfação todos os seus compromissos de agenda em igrejas espalhadas por todo o Brasil: “Faço tudo com alegria e amor à obra de Deus. É isso que me mantém jovem”, brinca. 

O famoso escritor e poeta americano, Ralph Waldo Emerson (1803– 1882), disse certa vez: “Ninguém jamais foi honrado pelo que recebeu; a honraria é uma recompensa destinada aos que servem e aos que dão.” A célebre frase se encaixa perfeitamente ao clássico Luiz de Carvalho, que recebe a honra por ter servido a tantas pessoas sem nada querer em troca, por doar a sua vida à mensagem da cruz por meio da música. Por aprender com Jesus que “mais bem-aventurado é dar que receber”.

Equipe Troféu Promessas 

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